












viagem fotográfica pelas coisas que fiz. começa em 2002, acaba hoje.

































VOU A TUA CASA
Quando para um actor a vida e arte são uma e a mesma coisa, o espectáculo teatral transforma-se em algo que prescinde do palco tradicional concreto – bastando para existir que o actor e o espectador acordem que o espectáculo vai acontecer entre eles. Mas, e onde se encontram? Muito simples: na casa do espectador, na do actor ou no caminho que vai de uma à outra. Ou seja, no meio da rua.
Uma entrevista de
Sarah Adamopoulos
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Como é que chega ao teatro? Que percurso pessoal tem vindo a ser esse – e com que escolhas?
É impossível dissociar a minha história pessoal do teatro que faço. A minha ligação ao teatro e às artes performativas deve-se a uma série de circunstâncias, e não a escolhas predefinidas à partida. O meu percurso tem-se pautado por vários acasos. Nunca tomei nenhuma grande decisão de fundo, não reconheço no meu trajecto artístico nenhum momento em que tenha decidido que ia fazer isto ou aquilo. Fui chegando às coisas por acaso, por arrasto, e fui-me apercebendo que essa minha maneira de estar no teatro era interessante, e que essa minha atitude, quase terrorista, chegava por vezes a certos lugares, sem ter permissão para tal. E isso acabou por ditar muitas das coisas que eu gosto de dizer nos meus espectáculos – os meus statements, e a forma que os espectáculos acabam por tomar.
Começou sendo actor?
Como actor, sim. [...] já estava no meu 3º ano de curso, [quando] comecei a trabalhar com o actor João Cabral, com quem fiz em 1999 uma peça muito experimental [...] baseada em poemas do Mário de Cesariny. Chamava-se “Tranglomanglo” e estreou na Barraca. Foi o meu primeiro espectáculo como actor, mas também como co-criador. A minha chegada ao teatro amador não começou da maneira mais tradicional. Aquilo que é comum acontecer é começar pelos textos clássicos, e raramente se passa do Tchekov. Fiz depois em 2000, ainda com o João Cabral, um espectáculo baseado em textos escritos pelos próprios actores, chamado “Eu-Mesmo”, e que foi estreado n’A Capital, o antigo espaço dos Artistas Unidos. Eu estava a acabar o curso, e nunca houve até 2000 nenhuma vontade expressa de continuar a fazer teatro. Acabei o curso, e fiz o que toda a gente faz – enviar os currículos para os jornais, para as televisões, para as rádios.
Ia ser jornalista.
[...] A única coisa que eu sabia é que queria fazer jornalismo cultural. A minha “profissionalização” no teatro foi feita aos tropeções. Em 2000, eu não fazia ideia quem eram as pessoas que faziam teatro em Portugal, não conhecia os nomes [...]. Quando comecei a trabalhar com o João Cabral, eu tinha ido ao teatro umas três ou 4 vezes, no máximo [...]. Penso que essa minha ingenuidade foi também ela muito interessante para o meu amadurecimento. As pessoas com quem passei a manter contacto daí para a frente não tinham nada a ver com [.o teatro mais tradicional. Essas pessoas eram a Mónica Calle, a Lúcia Sigalho, o João Garcia Miguel, por exemplo.
E em permanente partilha com os espectadores.
Exactamente, numa convocação permanente do olhar do espectador para dentro do próprio espectáculo. Essa é aliás uma imagem de marca da Lúcia Sigalho desde sempre. [...] Tenho um respeito profundo pelo trabalho dela, aprendi imenso com ela, e embora tenha acabado por não fazer esse espectáculo, essa minha passagem pelas “Dedicatórias” foi a minha escola, o meu curso. Assisti a encenação, o trabalho dos actores, fiz de tudo, desde as luzes aos cenários, passando pelos figurinos, pela produção, pelos recados na rua [...].
O teatro da Lúcia Sigalho faz constantemente essa ponte com a vida, ou assenta mesmo nisso, na vida, no que acontece nos dias das pessoas.
Ainda hoje faço muitas vezes esse exercício de tentar chegar ao teatro sem ser através do teatro – tentar não escolher textos que tenham em si uma carga teatral, tentar chegar a uma teatralidade qualquer, na maneira de ser intérprete, que não se inspire nos cânones tradicionais do teatro. Os cânones da representação teatral não me interessam muito, inspiro-me mais na vida, no quotidiano, no meu próprio passado…
Na sua própria vida – que talvez seja o que contemporaneamente faz sentido…
É o que eu conheço melhor, o que está mais próximo de mim. Mas por vezes apetece-me ser mais investigador, e interesso-me por aquilo que os outros estão a fazer. [...] [Mas] é muito mais interessante quando me deixo “perder” por coisas que à partida não parecem informantes para os meus espectáculos.
Coisas como por exemplo o quê?
As minhas mudanças de casa, por exemplo. E isso acaba por ser tanto ou mais importante do que os conceitos e as teorias. Faço um esforço permanente para me deixar surpreender pela vida. Ao ponto de ser ela a mandar no trabalho. O sentido mais clássico do trabalho do actor ou do encenador é o contrário disso – é dar a vida pelo teatro, é aquela ideia romântica do grande actor que é capaz de deixar tudo pela profissão, que é capaz de ir para palco sabendo que a mãe morreu. Penso que faço o jogo ao contrário, ou seja, deixo que seja a vida a influenciar, por vezes a decidir. [...] Há um projecto que lancei em paralelo com o “Vou a tua casa”, chamado “Fui”, que é paradigmático disso mesmo. Fiz 7 experiências com esse projecto, e aí a minha abordagem foi saber de que forma podia anular-me como criador, como ser pensante que é capaz de concretizar ideias, ao ponto de deixar que a simples vontade que um espectáculo aconteça, seja suficiente para que ele aconteça de facto.
O “Vou a tua casa” é um projecto teatral terrorista?
O “Vou a tua casa” foi a minha primeira grande investida num território que quero continuar a pesquisar, a explorar, e sobre o qual quero também continuar a teorizar. Aprendi que a teorização traz com ela uma prática, tem uma forma. Eu não gosto de começar pela forma. Basta que haja esse compromisso de que falava há pouco. Se eu perguntar a estas pessoas que estão aqui neste restaurante se isto é um espectáculo de teatro, elas vão dizer que não. Mas se nós acordarmos que é, então é. E essa é uma das minhas grandes lutas, a de lutar por uma abordagem à arte em geral que seja muito pouco – ou mesmo nada – formalista. Infelizmente, a maior parte dos críticos, dos investigadores e de muitos teóricos, continua a procurar isso no teatro. Continuamos, em Portugal, a avaliar os espectáculos do ponto de vista da qualidade e da espectacularidade formal, mesmo quando as próprias obras já não oferecem isso. E as ideias contam pouco. [...] Note que não encontro na arte qualquer sentido social, ou político à partida. Explicando-me melhor: falar-se numa arte social ou política é para mim um dado adquirido. Não existe arte mais ou menos social, mais ou menos política, a não ser que nos aproximemos dela de uma forma meramente temática, o que a mim me parece muito redutor. Ou seja: para mim a arte é sempre política e é sempre social. Desinteressa-me saber sobre que é a arte; interesso-me, isso sim, saber como é a arte, ou porque é arte esta arte que eu vejo…
É também a expressão de uma insatisfação?
Claro. É a expressão de uma insatisfação, também em relação ao que eu fiz antes disso. Era esse trabalho não me chegar. Era querer convocar o espectador para além do que já estava a fazer a Lúcia Sigalho, por exemplo. Essa convocação era induzida, de forma artificial, mas não era levada até uma consequência qualquer que eu queria experimentar.
Uma procura de últimas consequências?
Sim. Era pensar que se eu vou fazer isto para si, então por que é que não nos encontramos e falamos do assunto? Se é tão importante eu saber que você está aqui comigo, então vamos tornar isso realmente importante. E nesse caso, eu quero mesmo conhecê-la. Fazia-me imensa confusão não saber quem eram as pessoas que estavam na sala a ver o espectáculo. Eu sei, porque também sou espectador, que há pessoas que estão ali sentadas mas que estão cheias de vontade de ir embora. E sei que há pessoas que estão cheias de vontade de saltar para cima do palco porque estão a adorar. [...] E tudo isto é para mim muito mais interessante do que o próprio espectáculo. Eu quero saber de que forma é que as expectativas das pessoas mudam, qual é a leitura que fazem do espectáculo que estão a ver. E eu queria saber estas coisas, conhecê-las, trabalhá-las, pesquisá-las. E o “Vou a tua casa” nasce dessa minha vontade de estar o mais perto possível das pessoas – mesmo que implique uma proximidade física [...].
[...]
E o que é que as pessoas queriam ver?
As pessoas esperam quase sempre duas coisas deste espectáculo. A primeira é essa ideia mais clássica da interacção, que como já disse me desinteressa. Não quero que o espectador seja apenas aquele que dá uma deixa, ou que segura no meu casaco. Há depois uma outra coisa que interessa as pessoas: serem tocadas emocionalmente. Que é algo que nem sempre acontece. Mas senti muito ao longo deste 4 anos esse desejo das pessoas de serem de alguma forma tocadas pelo “Vou a tua casa”. Querem que o espectáculo as marque do ponto de vista emocional. E o projecto dá-lhes isso, nalguns casos. [...] O que o “Vou a tua casa” propõe está muito mais próximo de uma vivência do que daquilo que tradicionalmente acontece quando vamos ao teatro. Há um momento do espectáculo em que troco contactos com as pessoas. É evidente que também há pessoas que acabam de ver o espectáculo e não querem mais pensar nele, ou manter contacto comigo. Mas há também uma grande fatia de espectadores que querem manter esse contacto. Fiz amigos, entre alguns desses espectadores. [...]
As pessoas que choram fazem-no porque se sentem tocadas por algo que é dito, ou feito, ou porque você as choca?
Não creio ter alguma vez chocado as pessoas. [...] Aquilo que as pessoas mais referem é a singularidade do momento. É aquilo estar a acontecer para elas. É ser um presente que está a ser-lhes dado. Amanhã, noutra casa, será completamente diferente.
As pessoas são sensíveis a essa dádiva.
Muito. No início eu não tinha consciência disso. Hoje, passados três anos, há pessoas que ainda têm nas suas paredes papéis que eu lá deixei, no sítio exacto onde os deixei.
Tem na memória algum momento decisivo, ou algo que tenha sido dito durante um desses espectáculos em casa das pessoas?
Um dos momentos mais incríveis do “Vou a tua casa” foi quando eu me apaixonei por uma pessoa durante o espectáculo. Mas à partida, o projecto não é uma coisa vertiginosa, não é algo que eu faça para sentir coisas. É uma técnica. Este projecto, que começou por ser uma renúncia da minha parte ao virtuosismo do actor (colocar bem a voz, ter a fisicalidade certa, a presença certa, a interioridade certa, o ritmo, o discurso…), curiosamente acabou por devolver um modus operandi que me parece em si virtuoso – embora não me obrigue a estar consciente da minha voz, ou da presença do meu corpo. Repare: a pior coisa que se pode pedir a um actor é que não faça nada. Ou que esteja ali como quando está em casa. Ou que fale com o espectador como fala com os amigos quando está no café. Eu desenvolvi um seminário na ESAD [Escola Superior de Artes e Design], nas Caldas da Rainha, com os alunos de teatro, em que a premissa era: não fazer nada, estar apenas no espaço do palco. Não provocar nada, não antecipar nada, não pensar nada, apenas estar. Foi impossível. Passados 5 minutos estavam a fazer coisas. Já tinham personagens, já tinham nomes para elas, já estavam em acção, e a viver um enredo. Todos nós estamos programados para fazer, para ser uma coisa qualquer, para fazer o papel de. Há um pânico da realidade. E este Projecto de Documentação sobre o “Vou a tua casa” evidencia a minha luta de 4 anos pela defesa de um território onde possamos ser confrontados com a nossa própria realidade de espectadores, sem pânicos.
Mas as pessoas não procuram no teatro a espectacularidade do artifício? Os figurinos, as luzes, os efeitos, a fantasia? Não é nisso também que tradicionalmente a crítica se sustenta?
Eu não reconheço em Portugal nenhum crítico que seja perfeitamente capaz de dialogar com o mundo em que vivemos todos – e o crítico também. De dialogar com o espírito do tempo, com aquilo que é a tendência da arte contemporânea mundial. Os críticos em Portugal são na grande generalidade pessoas que tinham uma ou outra afinidade com o universo artístico (porque foram actores, ou porque foram jornalistas na área da cultura). E essas pessoas limitam-se a fazer jornalismo de opinião. Para mim um crítico é alguém que pensa os espectáculos criativamente, e que tem de ser tão original quanto os criadores. A crítica não pode ser um serviço. A nenhum nível. A responsabilidade de um crítico é enorme. É tão grande como a de um artista que se assume socialmente enquanto tal. Tão grande como alguém que cria um espectáculo, que abre as portas de uma sala para o apresentar, e que cobra bilhetes por isso. Um crítico tem de poder estar no zeitgeist, no espírito do tempo, e, mais importante ainda, ser capaz de dialogar com esse tempo específico, tanto quanto o artista o deve fazer. O crítico deve fazer-se seguir pelo mesmo espírito de avanço e ruptura que rege o criador. Um crítico não pode ser um elemento de reconciliação da arte com uma espécie de “ideal passado”...
O teatro pode ou não ser uma exposição de ideias?
Só pode. O teatro é isso. Toda a arte é uma exposição de ideias, seja ela mais ou menos expositiva. A arte é uma partilha de ideias.
Qual é o lugar do texto no seu teatro?
O teatro é uma coisa, e o texto dramático é outra. Continuar a querer fazer coincidir essas duas coisas, é para mim um erro histórico. Recuso o teatro que acha que o texto é a pedra de toque de todo e qualquer espectáculo. O teatro é uma linguagem autónoma. Do texto, e até dos actores. O teatro é uma forma de pensamento, que tanto pode socorrer-se de textos como de qualquer outra coisa.
Mas é ou não sensível a um bom texto para teatro?
Sou, claro que sou. Fiz em Braga uma vez um espectáculo chamado “A leitura encenada é um género que não faz o meu género”. Fiz outro, em Lisboa, no Teatro Taborda, chamado “Saudades do tempo em que se dizia texto”. E fiz depois no CCB um espectáculo chamado “Actor”. Todos estes espectáculos têm como premissa a minha relação pessoal com um texto. Mas para mim, um texto é só um utensílio, entre dezenas de outros. Não lhe dou essa centralidade, num projecto meu. Se eu dou essa importância a um texto, então para que é que faço o espectáculo? Nessa altura, eu dou o texto às pessoas e elas lêem-no depois em casa. Não. Um texto é só uma ferramenta.
Antevisões para o seu teatro, e também para o dos outros.
Em relação ao meu trabalho, penso que a dimensão teórica, de reflexão, está a impor-se cada vez mais, e é seguramente um caminho. Ou seja, pensar sobre e documentar os meus projectos. A dimensão documental dos projectos artísticos de cariz efémero é uma tendência de nível internacional que me afecta, e com a qual me sinto cada vez mais tentado a dialogar.
Nesse sentido, o seu trabalho é uma espécie de celebração, senão mesmo de anunciação do espírito do tempo.
E esse espírito diz-me que não faz sentido acreditar-se que ainda é possível inventar formas novas. Interessa-me documentar as ideias que dão forma a um projecto artístico, mas essa documentação não pode ser só uma coisa celebratória. Registar, documentar, guardar, sim, mas para acrescentar algo de novo.
Nunca o acusaram de fazer algo demasiado auto-centrado? Ou de se expor demasiado? Ou de as usar para as suas experiências (Rogério e os seus ratos brancos)?
Houve pessoas que sentiram que estavam a ser utilizadas como cobaias para uma experiência pessoal. Mas quando se aperceberam que tinham o controlo, que tinham poder sobre o que estava a acontecer, recuaram. As pessoas têm o poder de mudar o jogo. Podendo ser elas a dominar, a controlar.
Qual poderá ser o seu lugar no espaço teatral português? Quais são objectivamente as suas aspirações para o dia de amanhã?
As minhas aspirações próximas, para amanhã, são continuar este projecto documental, esta pesquisa, continuar a dialogar com as pessoas de agora, sobre o que se passa agora, e continuar a trabalhar sobre a dimensão do espectador (que tem a ver com o meu próximo projecto, que se chama precisamente “A oportunidade do espectador”).
Que projecto é esse?
Convidei algumas pessoas, escolhidas por mim durante workshops que fiz, para fazerem o projecto como elas achavam que podia ser feito. Se fosse o espectador a fazer, como seria? Documentando o processo, socorrendo-me de várias pessoas de várias áreas do pensamento – sobretudo da filosofia, mas também da curadoria, da história da arte. A premissa do projecto é esta: como é que o espectador, sendo responsável por um espectáculo, pode continuar a ser um espectador. O objectivo é reunir um conjunto de outras possibilidades performativas, da inteira e exclusiva responsabilidade dos espectadores. É uma oportunidade para as pessoas colocarem as suas questões.
Até onde acha que é possível levar um projecto tão inovador e complexo como o seu, num país em que o teatro ainda é maioritariamente encarado como uma exibição de virtuosismos formais?
Não sei. O meu trabalho ainda é visto como uma maluqueira, como uma coisa de desconfiar. Há um grande preconceito. Eu não procuro ser original, ou singular. Nem procuro estar à frente, ser vanguardista. Não sei o que é isso. Eu não ando à procura da next big thing, que é infelizmente o que se faz muito: procurar o actor do momento, o melhor figurinista do momento, o melhor videasta do momento, do melhor dramaturgo do momento… E por isso também, uma das minhas aspirações é sair de Portugal logo que possa. Eu sou necessário em qualquer parte do mundo. E a minha arte não é nacional. Não, eu não quero ser um artista local, no sentido de ter preocupações locais. É muito duro, viver de e com um projecto artístico desta natureza em Portugal.
Não se sente por vezes muito incompreendido? Muito só nessa sua abordagem ao teatro?
Não. Sinto-me até muito acompanhado, pelas pessoas que vão ver o meu trabalho, e pelos artistas que me apoiam, e que compreendem o meu trabalho, alguns deles pessoas que eu muito admiro. E por isso eu não me sinto sozinho. Mas sinto, claro, que o meu trabalho é muito difícil de programar. Porque não respeita muitos dos convencionalismos do espectáculo tradicional. Nomeadamente o que dita que se façam espectáculos para muitas pessoas. Ou que não se façam espectáculos onde facilmente possa haver falhas, coisas que não se controlam. Ora, quando o espectáculo e a vida coincidem, o fracasso é sempre uma possibilidade. O fracasso é tão importante como o sucesso.